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  • 5 de março de 2026

Preço da cesta básica recua 2,09% em Campo Mourão após pico registrado em janeiro

Levantamento do Centro Universitário Integrado aponta que a cesta básica consome metade do salário mínimo dos mourãoenses

O Centro Universitário Integrado, por meio do Núcleo de Empreendedorismo, Pesquisa e Extensão (NEPE), divulgou os resultados das pesquisas econômicas de fevereiro de 2026 em Campo Mourão. Os dois índices monitorados apontaram direções opostas: o Índice Municipal de Preços ao Consumidor (IMPC) registrou deflação de 2,09%, enquanto o Índice de Custo da Cesta Básica (ICB) apresentou alta de 0,13%.

O IMPC monitora 44 itens de consumo distribuídos em cinco grupos, Alimentação, Habitação, Transporte, Educação e Comunicação, totalizando 503 preços coletados mensalmente em diferentes estabelecimentos de Campo Mourão. A pesquisa tem como objetivo acompanhar sistematicamente as variações no custo de vida da população local.

IMPC recua após pico em janeiro

O IMPC apresentou queda de 2,09% em fevereiro, revertendo a alta de 3,80% registrada em janeiro. O recuo foi puxado principalmente pelo grupo Alimentação (-5,36%) e pelo grupo Habitação (-0,67%). No grupo Habitação, as maiores reduções foram nos preços do detergente (-22,35%) e do sabonete (-12,77%). O grupo Transporte subiu 0,24%, influenciado pela alta de 1,61% no etanol, apesar da queda de 0,17% na gasolina e no diesel. Os grupos Educação e Comunicação não registraram variação no período.

Cesta básica sobe mesmo com deflação geral

O ICB atingiu R$ 718,85 em fevereiro, alta de 0,13% em relação a janeiro. Para um trabalhador remunerado com o salário mínimo de R$ 1.621,00, a compra dos alimentos básicos para um adulto durante um mês consome 49,59% do salário líquido, após os descontos previdenciários de 7,5%. Em termos de jornada, são necessárias 97 horas e 33 minutos de trabalho mensais para adquirir a cesta.

O valor da cesta básica no município segue superior ao registrado em 16 das 27 capitais monitoradas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), segundo dados divulgados em 9 de fevereiro de 2026.

O que dizem os pesquisadores

Para Alexandra Andrade de Almeida Cardoso, professora e pesquisadora do NEPE do Centro Universitário Integrado, o momento exige observação cautelosa: "Esse cenário de deflação no índice geral indica um respiro pontual para o orçamento das famílias mourãoenses, especialmente após as altas de janeiro. No entanto, o monitoramento continuará rigoroso ao longo de todo o ano de 2026 para avaliarmos se essa redução se consolidará como uma tendência de mercado ou se representa apenas um ajuste sazonal", destaca a professora.

Fabricio Pelloso Piurcosky, professor e pesquisador do NEPE, reforça a importância do acompanhamento longitudinal dos dados: "Embora o índice geral tenha recuado, o custo da cesta básica ainda compromete quase metade da renda líquida do trabalhador. Nosso objetivo com o NEPE é produzir dados que permitam à comunidade entender essas oscilações e identificar se as quedas em itens essenciais são movimentos pontuais ou uma desaceleração real dos preços", conclui Piurcosky.

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