CONCCEPAR

ANAIS DO CONCCEPAR 2011


TUMOR DE CÉLULAS DE LEYDIG E TUMOR DAS CÉLULAS DE SERTOLI EM CÃO NÃO CRIPTORQUIDA. RELATO DE CASO.


AUTORES

Mayara Caroline Rosolem, Débora Cristina Romero, Acácio Duarte Pacheco, Augusto Schweigert, Daniela Bernadete Rozza


ÁREA DO CONHECIMENTO

Ciências Agrárias


INTRODUÇÃO

O tumor das células de Sertoli (ou sertolioma) e o tumor das células de Leydig (ou leydigocitoma) estão entre as neoplasias reprodutivas mais freqüentes em cães adultos a idosos. O tumor de Leydig geralmente ocorre em testículos na bolsa escrotal, na forma de nódulos pequenos, múltiplos ou solitários por vezes apresentando áreas hemorrágicas ou císticas podendo produzir uma sutil alteração morfológica no testículo afetado. O sertolioma ocorre mais freqüentemente em testículos criptorquidas e macroscopicamente se apresenta como nódulo pequeno, firme e esbranquiçado. Alguns tumores de Sertoli podem ter secreção excessiva de estrógeno sérico que leva a sinais clínicos como hiperpigmentação, alopecia simétrica e depressão de medula óssea que, se não tratada precocemente, evolui para aplasia, conferindo distúrbios de coagulação como hemorragias petequiais e excessivo sangramento. O tratamento de escolha é cirúrgico (castração). Enquanto o sertolioma secreta andrógenos, o tumor das células de Leydig não produz manifestações óbvias de secreção hormonal, salientando assim a relevância em realizar a castração em fase juvenil. O objetivo deste relato foi descrever a macroscopia e a microscopia de duas neoplasias distintas encontradas nos testículos de um cão, não relacionadas ao criptorquidismo.


MATERIAL E MÉTODOS

Foi encaminhado para o serviço de clínica médica do Hospital Veterinário \"Luiz Quintiliano de Oliveira\" um canino da raça Pastor Belga, macho, 12 anos de idade, com sinais clínicos de dispneia e hiporexia há três dias. O hemograma revelou quadro de pancitopenia. O animal recebeu fluidoterapia e durante a mesma teve uma parada cardiorrespiratória indo a óbito. O cadáver foi encaminhado ao serviço de Patologia Veterinária da Universidade Estadual \"Júlio de Mesquita Filho\" Faculdade de Medicina Veterinária da UNESP, campus de Araçatuba, SP, para necropsia e posterior avaliação histopatológica. No exame macroscópico, as mucosas estavam perláceas, havia rarefação pilosa abdominal, porém ausência de ginecomastia. A próstata estava aumentada de tamanho e com formações císticas. Os testículos estavam na bolsa escrotal e sem alteração externa, porém ao corte havia neoformações nodulares diferenciadas. O testículo direito apresentou nódulo esbranquiçado e firme, e o esquerdo, nódulo avermelhado, ambos medindo 1,0 cm de diâmetro. O material foi processado para análise histopatológica, corado com hematoxilina e eosina (HE) e a microscopia óptica revelou que havia duas neoformações distintas. Não foram encontrados focos metastáticos macroscopicamente.


RESULTADO E DISCUSSÃO

Neoformações testiculares são o segundo tipo de neoplasia mais comum em cães não castrados. O criptorquidismo quase sempre está relacionado como causa principal da neoformação, particularidade que não estava presente neste caso. A idade média dos cães com esse tipo de tumor é de dez anos, provando que os animais acometidos são adultos e idosos, como o animal relatado. O sertolioma é descrito pela literatura como nódulo firme e esbranquiçado; o leydigocitoma como nódulo amarelado, hemorrágico e cístico, contradizendo os dados já descritos. A microscopia do testículo direito apresentou ninhos de células com citoplasma eosinofílico e vacuolizado, núcleos centrais, cromatina grosseira e hipercromática; esses ninhos eram separados por septos de tecido conjuntivo, sendo classificado como leydigocitoma. O testículo esquerdo revelou células dispostas em paliçadas, citoplasma eosinofílico e pouco delimitado, núcleo centralizado, nucléolo evidente e áreas hemorrágicas multifocais, sendo classificado como Sertolioma. A disposição das células em paliçadas encontrada no Sertolioma corroborou a literatura. A presença de tecido conjuntivo fibroso foi mais evidente no testículo com leydigocitoma do que no sertolioma, contradizendo a dados literários. Na próstata havia metaplasia escamosa com focos de queratinização e cistos multifocais; a hiperplasia prostática pode estar relacionada com a obstrução do ducto prostático, causando estase secretória e predispondo a formação dos cistos.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

As neoplasias testiculares em cães são patologias freqüentes e acometem principalmente os machos adultos e criptorquidas e são raras em machos que apresentam ambos os testículos na bolsa escrotal. A castração é a opção para o tratamento, o prognóstico é favorável e metástase são raras. A análise histopatológica utilizando coloração de hematoxilina e eosina foi conclusiva na diferenciação do sertolioma e o leydigocitoma. Através da macroscopia, o testículo direito que apresentou nódulo esbranquiçado e firme poderia ser classificado primariamente como sertolioma, pois as características macroscópicas concordando com a descrição observada na literatura, e o testículo esquerdo apresentou o nódulo hemorrágico, corroborando a descrição macroscópica do leydigocitoma. A microscopia revelou o contrário, provando a necessidade das duas avaliações no momento de fazer um diagnóstico preciso e seguro.


PALAVRAS CHAVES

neoplasia testicular, leydigocitoma, sertolioma, cão


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de 23 a 27 de maio de 2011 Faculdade Integrado de Campo Mourão