CONCCEPAR 2009

Marcador ANAIS DO III CONCCEPAR



CONSÓRCIO DE MILHO SAFRINHA E BRACHIARIA RUZIZIENSIS EM UM LATOSSOLO VERMELHO EUTROFÉRRICO


INTRODUÇÃO

Consórcio é o cultivo planejado de duas ou mais espécies vegetais na mesma área, sem que apresentem competição entre si por água, nutrientes ou luz, visando alcançar um ou mais objetivos. O cultivo consorciado tende a aumentar a produção de fitomassa por área, conferindo mais cobertura ao terreno. No Brasil Central foi desenvolvido o Sistema Santa Fé que resumidamente consiste no consórcio entre uma cultura de grãos associada a uma gramínea forrageira. Este sistema objetiva a produção forrageira para a entressafra (outono-inverno) e palhada em quantidade e qualidade para garantir a eficiência do sistema de plantio direto de grãos na primavera, pois é fundamental que haja uma cobertura morta em quantidade suficiente e com maior estabilidade no tempo. Este trabalho teve como objetivo avaliar o efeito da semeadura consorciada de Brachiaria ruziziensis, semeada em diferentes épocas, sobre o desenvolvimento e rendimento da cultura de milho safrinha no município de Ivatuba/PR.


MATERIAL E METODOLOGIA

O experimento foi conduzido sobre LATOSSOLO VERMELHO Eutroférrico. A adubação de base foi de 19,8 kg de N ha-1, 85,8 kg de P2O5 ha-1 e 74,4 kg de K2O ha-1, no sulco. A adubação de cobertura foi realizada aos 20 e 40 DASM (dias após a semeadura do milho) com 46,4 kg de N ha-1 por aplicação, à lanço. A braquiária não recebeu adubação no sulco. O milho Pioneer 30F35 foi semeado a 0,80 m entre linhas e 4,3 sementes por metro e a Brachiaria ruziziensis (R. Germain & Evrard), cultivar comum, foi semeada em sulco, com 25 sementes por metro, no centro das linhas de milho. Os tratamentos foram: T1 – Milho Solteiro; T2 - B. ruziziensis, semeadura simultânea ao milho; T3 - B. ruziziensis semeada 10 DASM; T4 - B. ruziziensis, 20 DASM e T5 - B. ruziziensis, 30 DASM. O delineamento experimental foi blocos ao acaso com cinco repetições, em parcelas de 40 m2. Tratos culturais foram realizados conforme a necessidade. A cobertura morta foi avaliada aos 30 DASM; a emergência do milho aos 10, 25 e 40 DASM; o diâmetro do colmo aos 50, 80, 110 e 150 DASM; aos 65 DASM foi analisado o N foliar. As avaliações finais foram: população de plantas; número de fileiras, comprimento de espigas e peso de 1000 grãos; rendimento de colheita. A fitomassa verde e seca da braquiária foi avaliada aos 165 DASM. Realizou-se a análise de variância e as médias de tratamentos foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.


RESULTADOS E DISCUSSÃO

Não houve efeito de tratamentos sobre a emergência das plantas de milho, cobertura do terreno e acumulação de nitrogênio nas folhas, indicando que a semeadura de braquiária não afetou a cobertura prévia do terreno e nem concorreu com a cultura de grão na fase de crescimento de ambas. Este comportamento provavelmente deve-se ao fato do crescimento robusto do milho em suas primeiras fases de desenvolvimento, contra um crescimento mais lento da braquiária. O consórcio tampouco afetou as variáveis: diâmetro de colmo do milho, altura de inserção da espiga, número de fileiras de grãos e comprimento da espiga, massa de 1000 grãos e o stand final. Em função do comportamento dos componentes de produção, o rendimento de grãos de milho não foi afetado estatisticamente pelos tratamentos, confirmando dados da literatura que não mostram a existência de competição entre a braquiária e o milho (Kluthcouski et al., 2003; Ceccon, 2008). Entretanto, a forrageira foi prejudicada nas semeaduras não simultâneas e teve seu desenvolvimento reduzido em decorrência do consórcio. A produção de massa verde e seca da B. ruziziensis foi superior aos demais no tratamento de semeadura simultânea. Esta redução da produção de fitomassa se deve ao sombreamento exercido pela cultura do milho que inclusive desfavoreceu a germinação da forrageira nestes tratamentos, o que também foi observado por Kluthcouski et al. (2003).


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para as condições em que foi realizado o presente trabalho (solo fértil, sem estresse hídrico relevante, população de plantas e distribuição espacial), pode-se concluir que: (a) Brachiaria ruziziensis não competiu com a cultivar de milho Pioneer 30F35, cultivado na safrinha, mesmo quando ambas as culturas foram semeadas simultaneamente; (b) Para se obter produção de fitomassa de braquiária é necessária a semeadura simultânea ao milho; (c) Nas semeaduras mais tardias não houve produção expressiva da forrageira que pudesse considerar estas datas de semeadura como opções de uso.


ÁREA DO CONHECIMENTO

Ciências Agrárias


PALAVRAS CHAVE

Consórcio, Braquiária, Milho, Cobertura


AUTORES

GLAUCIA DE MATTIA, MARCOS JOSÉ VIEIRA


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